Jorge Luis Borges (1899-1986) nasceu a 24 de Agosto de 1899 na Rua Tucumán de Buenos Aires, e foi criado no Bairro de Palermo: «Num jardim, por trás de uma grade com lanças, e numa biblioteca de ilimitados livros ingleses.» Este espaço limitado de uma biblioteca e o infinito universo dos livros foi o embrião que permitiu a Borges encarar mais tarde «o paradoxo de um sedentário sem pátria intelectual, de um aventureiro imóvel que se sente à vontade em várias civilizações e em várias literaturas…» Borges pertence, sem dúvida, ao grupo de escritores que desde tenra idade tiveram a certeza de que os seus destinos iriam ser literários. Borges, para quem a vida é «um assombro contínuo, uma contínua bifurcação do labirinto», não só é um grande poeta (Cuaderno San Martín, El otro, el mismo, os poemas de El hacedor) e um verdadeiro mestre do conto, mas também um dos mais argutos e originais ensaístas do nosso tempo, sem esquecer a sua actividade de tradutor e antologista. Borges apenas conhecerá a fama internacional em 1961, ano em que lhe é concedido o Prémio Formentor, que compartilha com Samuel Beckett. A partir de então, são inúmeros os prémios, distinções e homenagens. Foi director da Biblioteca Nacional de Buenos Aires de 1955 a 1973. Morreu em Genebra, a 14 de Junho de 1986, com oitenta e seis anos de idade.